02 abril 2009

Nothing But Love

Podes, mas eu não deixo. Podes, mas eu não deixo. Podes, mas eu não deixo. Podes, mas eu não deixo. Podes, mas eu não deixo. Podes, mas eu não deixo. Podes, mas eu não deixo.


I came to this world with nothing
And I leave with nothing but love.
Everything else is just borrowed.

(The Streets)

19 março 2009

The Best Years Of Our Lives


We had the best years of our lives,
But you and I would never be the same.
September took me by surprise
And I was left to watch the seasons change...

It's been so quiet since you're gone
And everyday feels more like a year.
Sometimes I wish I could move on,
The memories would all just disappear...

So many things I should've
Said when I had the chance;
So many times we took it all for granted.

I'd never thought this could ever end;
I'd never thought I'd lose my best friend;
Everything is different now,
Can we stop the world from turning?

I'd never thought I'd have to let you go;
I'd never thought I'd ever feel this low;
I wish I could go back
And we'd stop the world from turning...

Looking back on better days,
When we were young, we thought we knew so much
And now it seems so far away,
I'm wondering If I was good enough...

Gone are all the days
When we swore we'd never break
And now I'm left here alone.

(Evan Taubenfeld)

12 março 2009

Não Sei


Não sei escrever-te no passado.
Não sei conjugar-te em pretérito perfeito.
Não sei agendar-te para o dia de ontem.
Não sei guardar-te na gaveta do pensamento.
Não sei passar-te a ferro de engomar.
Não sei usar-te senão rente ao corpo.
Não sei despir-te de mim.
Não sei explorar-te em rotas com fim.
Não sei olhar-te num horizonte que se afasta.
Não sei ser-te o fim da estrada.
Não sei remar-te contra a maré.
Não sei enxugar-te lágrimas que não correm.
Não sei cruzar-te sem um beijo.
Não sei estender-te senão no chão.
Não sei deitar-te noutra almofada.
Não sei querer-te somente assim.
Não sei presentear-te sem um sorriso.
Não sei acalmar-te sem o coração.
Não sei falar-te sem me ouvires.
Não sei entender-te sem que deixes.
Não sei ler-te sem abrires o livro.
Não sei alimentar-te sem amor.
Não sei beber-te senão champanhe.
Não sei servir-te noutra mesa.
Não sei aperfeiçoar-te se és completo.
Não sei perder-te para o mundo.
Não sei deixar-te sem te acoitar.
Não sei saber-te sem te amar.

27 janeiro 2009

Musicoterapia

Definir o tempo é musicá-lo, uma aleatoriedade de sensações e um arranjo de sons e silêncio.
Toda a música tem o teu nome em intensidade e timbre, ritmo e melodia. Estas sequências, sucessivas e simultâneas, embutiram no tempo o conceito de união. A harmonia emendou-se e progrediu, o jogo do tempo tornou-se físico e emocional e, progressivamente, a arte efémera tocou o instrumento da eternidade.
A melopeia é o nosso discurso não verbal, a linguagem articulada da arritmia livre, periódica e estruturada; é a emotividade do nosso género, o molde presente do nosso futuro, um refrão em binómio tridimensional. Desta fusão escrevo a partitura da felicidade, nota a nota, qual sinestesia em clave de sol...


30 agosto 2008

Agosto

O ano tem uma dúzia de meses e os meses uma mão cheia de dias. De rosa ao peito, tão candentes como tu.
Li-te a manhã no olhar coberto de brilho. Ouvi-te falar e a tua voz sorria. Ofereci-te demão minha morada aberta, essência de mim. Vi-te o reflexo no beijo enamorado. Senti-te o curioso encontro, envolvente acaso, sucesso de vida repartido a dois. Sem planos. Sem agendas. Sem mundos modernos de virtualidade.
A tarde cingiu o teu corpo, três naves, três tramos, séculos de talha, azulejo e pintura, altar-mor de tua boca texturizado. Cingiu o teu corpo, terra e água, braçadas imersas no azul-marinho.
A noite trouxe na voz o sentimento, fado lunar, astro talhado pelo teu compasso. Trouxe na voz o murmúrio de novas brisas, som de fusão, travesseiro do teu regaço. Trouxe na voz a tessitura própria do amor, timbre em sintonia, cidade a contrabaixo de sombras. Cada passo um encanto. Cada esquina uma virtude. Cada rua uma cumplicidade digna de ti.
Vida de expresso, partida e chegada, veículo deste vício atípico de ti. Desfiz-me em tabaco, mortalha em que me envolves, estádios de prosa pela noite dentro. Num coquetel de ópio. Num pretérito mais-que-perfeito do futuro. Num pronome pessoal e plural. Num teatro repleto de palcos e personagens, teres e seres. Num refúgio para sempre teu.
A madrugada concedeu a diáspora, Cristo Rei do teu abraço, e a fervura da pele morena a raiar alvorada. Singela recordação do sol emoldurado em bricabraques de sonhos.
A paixão tomou outro nome, outra força, outro poder. Chamar-lhe amor é ser dois e um só corpo: em horas rubras, em horas vãs, em todas te quero perto de mim...




Quem tem, quem tem
Amor a seu jeito,
Colha a rosa branca,
Ponha a rosa ao peito.

(Mariza)

08 agosto 2008

08.08.08

Hoje a literatura é o mito da realidade, o palíndromo, o comboio para algures, o veículo para uma única ocorrência de fiorde.


Expect the best and prepare to be surprised.

(Denis Waitley)

15 julho 2008

Acima Do Prazer

Ao ritmo alucinante de quem quer mas não pode, anoto este pensamento, qual impotência de estagnar o tempo e desfrutá-lo por minha conta e risco.
A preguiça e o cansaço confundem-se à incerteza do sol, sal da pele, grãos de inveja em vez de areia...

Confesso que cheguei a invejar-lhes a vida organizada e ordeira, (...), a vírgula maníaca do modo funcionário de viver, tão morno, tão brando, tão baseado nas aparências e em tudo como deve ser, porque o parecer está ainda e sempre acima do ser, e o dever acima do prazer, do sentir, de tudo.

(Margarida Rebelo Pinto)


14 junho 2008

O Sexo E A Cidade

Sarah Jessica Parker é Carrie Bradshaw, uma famosa escritora que acredita que as mulheres se mudam para Nova Iorque em busca dos dois L's - Labels and Love:

Good morning, on July 7

Though still in bed, my thoughts go out to you, my Immortal Beloved, now and then joyfully, then sadly, waiting to learn whether or not fate will hear us.
I can live only wholly with you or not at all.
Yes, I am resolved to wander so long away from you until I can fly to your arms and say that I am really at home with you, and can send my soul enwrapped in you into the land of spirits.
Yes, unhappily it must be so.
You will be the more contained since you know my fidelity to you. No one else can ever possess my heart - never - never.
Oh God, why must one be parted from one whom one so loves.
And yet my life in V is now a wretched life.
Your love makes me at once the happiest and the unhappiest of men.
At my age I need a steady, quiet life - can that be so in our connection?
My angel, I have just been told that the mailcoach goes every day - therefore I must close at once so that you may receive the letter at once.
Be calm, only by a calm consideration of our existence can we achieve our purpose to live together.
Be calm - love me - today - yesterday - what tearful longings for you - you - you - my life - my all - farewell.
Oh continue to love me - never misjudge the most faithful heart of your beloved.
Ever thine.
Ever mine.
Ever ours.

(Ludwig van Beethoven)

28 abril 2008

Ego Maximizado

A cada lágrima que jorra liberto-me do vício de ti, expurgo de sal ensosso de intenções e desejos.
A vontade é de explodir e reprimir. Num misto de amor e raiva, de alívio e decepção. Num misto de mistérios guardados a sete chaves entre as roupas lavadas com sabão azul. Sabão da aldeia. Da tua aldeia – território imperial com poder para te prender porquanto queres.
Temo-te mais do que a noite. Quando a luz se apaga e o vento me preenche, sobram meros destroços do que sentia.
Não há necessidade de me prostrar ante teus pés. De tos lavar. De tos enxugar. De tos beijar. De te apostolar, oh Deus fracamente omnipresente. A fé é um pedaço de chão lamacento, alcatrão sujo pela crença de que não me basto.
Se és minha silva, sou tua rosa, és meu espinho. Até não te sentir rasgar a minha pele. Erva daninha que consome e se instala para ficar. Não me parasites!
Outros Vascos da Gama se predisporão a descobrir a Índia de que sou feito: a canela e o caril, o açafrão entre pitadas de pimenta-do-reino.
O telefone cansou-se de dar voz ao teu amor. Não careço do teu sexo, tampouco de ti. De tudo o que sou, tão-somente o beijo de boa-noite e de bom-dia, café da manhã a dois, sem apertos nem pressões. De tudo o que dou, tão-somente a mão estendida no transcorrer do percurso em que tropeço, mas não caio...

Acabou.

14 abril 2008

Estações Da Vida

Outrora a tua chegada era a Primavera. Estações de sonhos sonhados ao beirado de uma janela florida para o mundo. Para ti.
O olhar traduzia a vastidão por ti escondida, por mim encontrada. A voz apartava sons dóceis e ternurentos. O beijo tornava real o desejo de unidade. O abraço despertava o olfacto perdido de quem há muito não amava com os sentidos. Digo os cinco sem excepção.
Primavera curta essa, lençóis brancos de partida que a demora amarelou...
Entretanto, as estações confundiram-se nas brumas do tempo que teimou em forçar a escuridão. Até a tua chegada não mais ser Primavera, antes uma chegada e nada mais do que isso.
A vida é uma janela: quando se fecham os estores da magia, todo o encanto irrompe o seu final. O frio do Inverno não passa do sopro dos corações perdidos de si e dos seus. Essa janela, decaída com o tempo, contempla agora a escrita das estrelas que, por linhas tortas, parece anunciar o impossível... O impossível é apenas a próxima etapa a ser vencida.