10 maio 2010

Pensei Escrever Coimbra

Pensei escrever amigos em vez de letras e experiências em vez de verbos. Pensei escrever precisamente dezoito frases. Ou mesmo quarenta e três. Pensei escrever o verde do parque e a saudade do penedo. Pensei escrever a cidade alta e a baixa do comércio. Ruas estreitas, pracetas e escadinhas. Pensei escrever o Vale Gemil e o Mosteiro de Celas. Pensei escrever imensos snacks entre refeições. Pensei escrever um auto de Gil Vicente em folhas de hortelã. Pensei escrever mais um conceito feito de vias e noites longas. Pensei escrever Coimbra. Tudo em Coimbra somos nós...


Coimbra é uma lição
De sonho e tradição
E aprende-se a dizer saudade.

(Amália Rodrigues)

09 abril 2010

2 Anos, 730 Dias



Há gente que fica na história
Da história da gente.

(Jorge Fernando)

05 abril 2010

Naturalmente Amigo

Amigo. Cinco letras, cinco braços, cinco dedos de uma mão estendida e de entreajuda.
A natureza, conforme a amizade, constrói-se de partidas e novas metas, nados vivos e velórios, ligações procriadas e sepultadas à tenção da vida.
As nuvens são algodão agridoce, sal açucarado da água que conflui dos rios para o mar. Foz dos dias e das vivências. Um amigo tem de estar, querer estar. Presenciar. Acercar. Acarinhar. Amar. Ar. Evaporar. Dissipar. Espaçar. Retornar.
Estação a estação, as árvores desfolham e amarelam erros que o solo acolhe e o vento arrasta. Amigos também. Na temporada sequente, os troncos são ramos de reconciliações ou achas secas que conservam a lareira inverno a fora. Inverno perene esse. Porém, sobejam amigos persistentes como as árvores de tal folhagem, incessantemente verde e revigorada, sustentando intempéries e a porta de uma entrada única e irrepetível. Muralha onde se ergue um clã.
Nem todos concernem a uma alcateia reunida ao redor de tais árvores, amigas e irmãs, cada uma assente em grãos de terra árida ou enlameada, de lágrimas de desilusão ou desespero. É esta água que nutre as raízes conectadas e suporta a insustentável ramagem da afeição.
Numa floresta de amigos há erva, arbustos e plantas seculares.


12 dezembro 2009

Já Ninguém Morre Por Amor

O conceito de sociedade metamorfoseou-se no de economia de mercado. A unidade, mais monetária do que afectiva, dinamiza agora a troca da mercadoria em vias de extinção. Oferta e procura de sentimento.
Até a rotina é efémera em toda a sua eternidade. Sucessão de prioridades de câmbio. Câmbio de sucessão de prioridades. A ideologia esboça o ser humano a contemplar o lucro e a moeda, uma subsistência demasiado onerosa. A sua.
Já ninguém morre por amor. Já ninguém oferece de si ou age em prol.
Toda a sensibilidade é hoje estultícia e pragma, eufemismo e lado supérfluo das coisas. Qualquer outra memória evoca o revivalismo da época em que o respeito e a lei sublimavam a lealdade pelo próximo. Sem contratos. Sem juros.
Porém, a política vigente estriba-se a conta-gotas. Penhora de pensamentos, palavras e acções no usurário onde mais tarde se vai recuperar ou cobrar.
A humanidade está soterrada em problemas. Eu só sinto a tua falta.

02 dezembro 2009

Yo Quiero Ser Diciembre


Quién habla del amor? Yo tengo frío
y quiero ser diciembre.

Quiero llegar a un bosque apenas sensitivo,
hasta la maquinaria del corazón sin saldo.
Yo quiero ser diciembre.

Dormir
en la noche sin vida,
en la vida sin sueños,
en los tranquilizados sueños que desembocan
al río del olvido.

Hay ciudades que son fotografías
nocturnas de ciudades.
Yo quiero ser diciembre.

Para vivir al norte de un amor sucedido,
bajo el beso sin labios de hace ya mucho tiempo,
yo quiero ser diciembre.

Como el cadáver blanco de los ríos,
como los minerales del invierno,
yo quiero ser diciembre.

(Luis García Montero)

Nada podia ser melhor, mais bem feito ou mais bonito.
Este mês eu quero ser egoísta, mas dedicado; certinho, calado e fechado, mas louco, falador e muito mais aberto...

10 outubro 2009

Un Baiser S'Il Vous Plaît


I wanna kiss you,
But if I do then I might miss you, babe.

(Lady Gaga / RedOne)

21 setembro 2009

My Lovely Mirror


Anwar: Hi.
Maxxie: Hey.
Anwar: I just... I just wanted to say goodbye and good luck.
Maxxie: Thanks. Listen, it'll be really shit. We'll find the cheapest rooms we can and we're going to have no money for food or booze but... Fuck it. Why don't you come?
Anwar: What?
Maxxie: It'll be fun. And I really want you there.
Anwar: But aren't I supposed to be deciding about my future? Moving on and doing all that?
Maxxie: Fuck the future. Come to London, have a laugh.
Anwar: You know I don't have any pants, right?
Maxxie: No one wears pants in London. Come on. We need to roll.

(Skins)

21 agosto 2009

Há Dias Que Marcam A Alma

O ano tem uma dúzia de meses e os meses uma mão cheia de dias.


As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades,
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir...

Há gente que fica na história
Da história da gente
E outras de quem nem o nome
Lembramos ouvir.

São emoções que dão vida
À saudade que trago,

Aquelas que tive contigo
E acabei por perder...


Há dias que marcam a alma

E a vida da gente
E aquele em que tu me deixaste
N
ão posso esquecer.

A chuva molhava-me o rosto,
Gelado e cansado,
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera...

Ai! Meu choro de moça perdida
Gritava à cidade
Q
ue o fogo do amor sob chuva
Há instantes morrera...

A chuva ouviu e calou
M
eu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade.

(Jorge Fernando)

10 agosto 2009

Pecado Original










O fruto proibido é sempre o mais apetecido.

(Popular)



04 agosto 2009

Remember To Forget


Não irei tratar como prioridade quem me trata como opção.

(Popular)